Por quê? Oi! Hein? Casa 3!
O pensamento e o início das relações
De repente, a criança começa a engatinhar.
É a incrível descoberta de que o que estava longe pode estar perto, bastando apenas fazer o corpo se deslocar.
Ao mesmo tempo, os desejos e as respostas começam a tomar formas em algumas palavras, mesmo que rudimentares.
É o cérebro percebendo um novo mundo de possibilidades que surgem do movimento e da interação.
Esse é o universo da casa 3: o espaço interno onde nos permitimos descobrir e aprender.
Quem acompanha o Jardim Astrológico já consegue perceber que as 12 casas estão dispostas numa sequência lógica, num forte paralelo com as etapas da vida.
👀Link do Jardim:
As casas astrológicas como etapas da vida
Na casa 1 a vida começou. Na casa 2 tomamos posse do que é tangível para garantir a continuidade da vida.
Agora, na casa 3, percebemos que não estamos sozinhos no mundo e que é preciso, então, aprender a interagir com o ambiente ao redor.
É a plasticidade da mente e a descoberta de um mundo que vai além das nossas próprias necessidades.
Descobrindo o mundo ao redor
Digo sempre e repito: viver plenamente as experiências de uma casa só é possível se a anterior estiver funcionando com fluidez.
Isso não é diferente com a casa 3, afinal, o aprendizado saudável só se torna possível se a barriga estiver cheia.
Na escassez, prevalece o instinto de sobrevivência e, em meio a possíveis reações animalescas - a razão não encontra espaço para se desenvolver.
Depois da consciência do mundo individual da casa 2, onde todas as esferas do “meu” são defendidas, é chegada a hora de perceber que há um ambiente mais amplo além das próprias posses.
É um avançar natural de etapa. Assim como uma criança que após querer colocar tudo na boca por achar que todas as coisas são dela, agora abre-se um portal de interações com as pessoas próximas que buscam estabelecer uma comunicação.
Nesse universo da infância, o primeiro ambiente de interação é a própria casa e o ambiente próximo. É por isso que na casa 3 incluímos os irmãos e porventura primos e vizinhos - o nosso primeiro círculo de contato.
As dimensões da casa 3
Comunicação e primeiros aprendizados
Esses primeiros contatos são absolutamente essenciais para que possamos entender até onde somos capazes de colocar em prática o que está na mente.
A verdade é que não podemos fazer tudo o que queremos e isso se prolonga para as vivências do mundo adulto.
De repente nos deparamos com limites do corpo (casa 1), limites impostos por outras pessoas (começando pelos pais), limites de recursos (casa 2), limites de ideias, de habilidades de comunicação e de conhecimento em geral.
Com isso, percebemos que é preciso aprender algo que ainda não sabemos, se quisermos defender nossos interesses e sermos capazes de entender o ponto de vista do outro.
Aliás, é aqui que se desenvolve o respeito ao próximo.
Na casa 3 aprendemos a convencer pois, uma vez expostos ao mundo externo, temos de lidar com o fato de que as atenções não são naturalmente exclusivas para nós.
Essa é a grande função da escola no período estudantil - propiciar um ambiente onde as faculdades mentais são desenvolvidas graças aos desafios da interação com pessoas diferentes daquelas que nos protegem - os pais.
Assim, o período escolar também é assunto de casa 3, pois está inserido no contexto de que a relação com o ambiente é condição fundamental para a formatação do caráter e para a construção das respostas que entregamos ao longo da vida.
Enfim, viver a casa 3 é estar constantemente aberto para começar a aprender algo novo.
Deslocamentos
Vale lembrar que estamos falando de uma casa de ar mutável: a flexibilidade é livre e as possibilidades infinitas.
Para além da plasticidade do cérebro, esbarramos, naturalmente, nos deslocamentos.
O deslocamento é a reação física espontânea da curiosidade.
Para visualizar com facilidade, basta lembrar da criança que começa a engatinhar e andar - o impulso é o de avançar, alcançar o que antes era impossível, ver com os próprios olhos, sentir-se livre.
Após os vários tombos, tentativas e erros, pouco a pouco cresce coragem para avançar.
Como nos ensina Dane Rudhyar, a casa 3 reflete nosso campo de experiências empírico: é preciso chegar perto e observar.
Pelos movimentos, testamos os limites, vemos como funciona e desenvolvemos o pensamento analítico.
É por isso que quando se fala em casa 3 é comum também associá-la aos deslocamentos no trânsito e às viagens curtas.
Mesmo que superficiais, essas são manifestações inseridas nesse raciocínio de movimento necessário para acessar o que está além do ambiente doméstico e começar a descobrir novos círculos de possibilidades.
O segredo da casa 3 de sucesso
Toda essa lógica apresentada é transposta para qualquer tipo de desenvolvimento na vida!
Sempre que nos dispomos a aprender algo novo, estamos vivenciando uma experiência de casa 3.
No entanto, é preciso ressaltar que a decisão de aprender exige sair da zona de conforto e reconhecer aquilo que não se tem domínio.
Assim, no mundo adulto, a falta de humildade é a grande vilã contra o sucesso da casa 3:
Não respeitar os próprios limites e os limites dos que nos rodeiam, acomodar no conhecimento limitado que se tem ou, pior, pensar que não há mais nada a ser compreendido - é a receita infalível para o bloqueio do progresso.
Medo de testar novas possibilidades, medo de errar, medo de comunicar são sinônimos de medo de viver.
Esses tipos de medo revelam a criança interna ferida que não se permite descobrir.
A consequência?
A trava na evolução pelas etapas da vida estampadas nas casas astrológicas que estão pela frente.
Aliás, é bom lembrar que por mais que avancemos, todas as 12 casas continuam existindo e atuando.
Dessa forma, enquanto há vida, sempre há espaço para aprender mais e mais. Sempre há espaço para testar, descobrir e aprimorar habilidades.
🌳Refletindo no Jardim
Que tenhamos um respeito profundo e reverência absoluta àqueles que nos ensinam algo novo.
Pode ser um pai, um professor, um livro, um amigo…
Que saibamos nos colocar na humilde posição de receber informações, de não julgar antes de ouvir e acolher o que o outro tem para dizer e mostrar.
E, ao fazer os primeiros experimentos práticos, que possamos enfrentar com leveza a possibilidade de dar errado - pois o fracasso é parte estratégica do caminho.
A sabedoria da casa 3 nos ensina que é do lugar de pequeno que alcançamos as grandes realizações.
Com amor, com Deus,
Astróloga do Jardim




